sábado, octubre 06, 2007

- Adorei seu ultimo texto…

- Qual deles?

- O que tinha pensado em morrer num domingo.

- Gostei também. Tive a sensação chegando da zona leste...

- Queria escrever algo sobre a tal da sobrevivencia, e sobre a morte. Mas quando li teu texto, fiz dele um pouco meu.

- Que ótimo!

- Estou com medo da velhice.

- Sei bem.

- Muito.

- Todo mundo da nossa idade tá. Muito louco isso, não? Chegou a hora de entender que não é pra sempre. de que vem a decadência.

- Nao importa a morte na verdade...

- Isso está muito forte em mim também. Não mesmo. a morte em vida é a que importa…

- Importa isso...a decadencia.

- Essa dói. Deixar de ser, sendo.

- O não poder quase pensar......o nao lembrar das coisas....o existir só por existir. Deixar de ser, sendo. Totalmente. Não quero. Acho que acabo com a minha vida antes.

- Pensei nisso...Mas, aí, me perguntei, será que não é da própria natureza humana ir aceitando? Mesmo quando imaginamos que não vamos conseguir?

- Será?

- Então, acho que sim.

- Seria mais fácil de aceitar.

- Escrevi um texto sobre a falta de memória...O médido termina dizendo: não se preocupe, que, logo mais, você vai deixar de lembrar que havia o que esquecer. E o carinha, que é jovem, sai inconformado. uma esclerose precoce.

- Seria bom esquecer de tudo.

- É essa a promessa do médico.

- Mas sem se lamentar que esqueceu de tudo!

- Essa é a cura que ele entrega. exato. Porque você não lembra que há o que esquecer.

- Tem gente que lamenta...sempre....toda hora...vivi disso....da lembrança.

- Hummmm.... ruim. Bem ruim.

- Sim sim...

- Vamos ser intensos! enquanto formos!

- Sera que vamos conseguir!?

- E morrer mais cedo, se for preciso…